Disclaimer
As simpatias para parar de beber ensinadas nesta página são de cunho meramente esotérico, não substituindo tratamento médico, psicológico e terapêutico.
www.brunodeosiris.blog e seus administradores não se responsabilizam por decisões tomadas com base nos rituais aqui descritos, nem por ônus de qualquer natureza decorrente da realização deles.
Simpatia para parar de beber com a caneca lavada
Pegue a caneca ou o copo que a pessoa mais usa. Lave em água corrente fria, esfregando bem o fundo e a boca, e diga baixinho: "lavo daqui o gosto e a vontade". Enxugue com pano limpo e guarde no armário, de boca para cima, por dois dias. Depois disso, volte a usar normalmente.

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A areia dentro da garrafa vazia
Separe uma garrafa vazia e encha até a boca com areia seca ou terra fina, sem deixar espaço nenhum. A cada punhado, diga: "onde havia bebida, agora há chão firme". Deixe a garrafa em pé, fora de casa, por uma noite. No dia seguinte, deixe tudo em uma esquina.
Simpatia para parar de beber com o fósforo apagado
Encha um copo com dois dedos de água. Acenda um fósforo e jogue-o aceso dentro do copo, dizendo: "assim se apaga a vontade de beber do fulano". Repita com mais dois fósforos, um de cada vez. Deixe o copo com os três palitos em lugar alto por 24 horas, depois jogue a água no ralo e os palitos no lixo.
A moeda que troca de bolso
Ao acordar, coloque uma moeda no bolso direito. Toda vez que a vontade de beber aparecer, passe a moeda para o bolso esquerdo dizendo por dentro: "passou". Faça isso por dois dias, sem contar a ninguém. No fim do segundo dia, agradeça e entregue a moeda a alguém que peça na rua.

A casca de limão nas mãos
À noite, dentro de casa, esfregue uma casca de limão nas palmas das mãos, devagar, como quem tira sujeira, dizendo: "tiro das minhas mãos o que me leva ao copo". Lave as mãos em água corrente e enxugue bem. Deixe a casca em um pires na cozinha até o dia seguinte e descarte na terra de um vaso.

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Simpatia para parar de beber com o pote de arroz cru
Escreva em um papel o nome de quem você quer ver livre da bebida. Dobre o papel e afunde no meio de um pote de arroz cru, cobrindo bem, dizendo: "que o arroz puxe para si a vontade do fulano". Tampe e deixe em lugar escuro por dois dias. Depois rasgue o papel e jogue o arroz para as aves da rua.
O horário riscado
Repare na hora em que a pessoa costuma começar a beber e anote esse horário em um papel. No dia seguinte, exatamente nessa hora, risque o número devagar, várias vezes, até não dar mais para ler, dizendo: "essa hora não pertence mais à bebida". Rasgue o papel em quatro e jogue fora. A hora marcada faz parte da simpatia e deve ser respeitada.
A borra de café no ralo
Guarde a borra do café da manhã feito na casa onde a pessoa vive. À noite, despeje bem devagar, em fio, no ralo da pia, dizendo: "desce por aqui a vontade de beber do fulano". Deixe a água correr por um minuto. Repita na manhã seguinte e encerre.

Simpatia para parar de beber com a folha de louro no bolso
Escreva com caneta, em uma folha de louro seca e inteira, a inicial do nome da pessoa que bebe. Leve a folha no seu bolso durante o dia e, cada vez que pensar nela, feche a mão sobre a folha sem dizer nada. No fim do segundo dia, esfarele a folha e jogue ao vento, longe de casa.

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Simpatia para parar de beber com a vassoura
Pegue uma vassoura e escolha um pequeno espaço perto da porta de casa. Varra de dentro para fora, dizendo: “Varro simbolicamente a vontade de beber do fulano de tal e abro espaço para uma vida sem bebida”. Recolha a sujeira com uma pá, coloque no lixo e guarde a vassoura. Faça uma única vez; o ritual termina no mesmo dia.
A camisa virada do avesso
Pegue uma camisa que a pessoa costuma vestir quando bebe. Vire do avesso, dobre e guarde no fundo da gaveta, dizendo: "viro do avesso a vontade de beber do fulano de tal". Deixe a camisa ali por dois dias, sem que ninguém mexa. No terceiro dia, lave e devolva ao lugar de sempre.
Simpatia para parar de beber com um punhado de açúcar ao vento
Ponha um punhado de açúcar na palma da mão e vá até uma área externa, ao entardecer. Sopre o açúcar para longe dizendo: "que a vida do fulano fique doce sem precisar de bebida". Bata as mãos uma na outra três vezes e volte sem olhar para trás. Faça uma vez só.

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O copo que toca como sino
Pegue o copo de vidro que a pessoa mais usa, vazio e limpo, e bata de leve na borda com uma colher, três vezes, ouvindo o som terminar por completo a cada toque. A cada um deles, diga: "acabou para o fulano". Lave o copo e guarde. Se quiser, repita uma única vez no dia seguinte.
O pano torcido na pia
Molhe um pano de prato em água fria e torça com força sobre a pia, até sair a última gota, dizendo: "escorre daqui a vontade de beber do fulano". Torça três vezes, sempre até secar. Estenda o pano no varal e deixe secar ao ar livre por um dia antes de voltar a usar.

Simpatia para parar de beber com a garrafa devolvida
Pegue uma garrafa de bebida alcoólica vazia. Segure com as duas mãos e diga: "Entrego para o universo a vontade de beber do fulano". Leve a garrafa para longe de casa e deixe aos pés de uma árvore. Volte por um caminho diferente do que fez na ida.

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Curiosidades...
🔍 Por que quase toda simpatia para parar de beber começa no copo ou na garrafa
Se você olhar com calma as simpatias desta página, vai notar que várias delas partem do mesmo lugar: o copo, a caneca, a garrafa. Segundo a tradição, a escolha nunca foi por acaso. A tradição popular sempre trabalhou com aquilo que está à mão e que carrega significado na vida real de quem faz. O copo é o objeto que encosta na boca, é onde a bebida deixa de estar do lado de fora e passa para dentro.
A garrafa é o lugar onde ela mora enquanto espera. Mexer nesses dois objetos é mexer no ponto exato onde o hábito acontece. Por isso a simpatia manda lavar a caneca em água fria, encher a garrafa de areia, bater na borda do copo até o som acabar. Cada um desses gestos faz a mesma coisa por caminhos diferentes: transforma o objeto do costume em objeto do pedido.
Tem também uma questão prática, e ela vale a pena ser dita sem rodeio. Quem faz uma simpatia para parar de beber quase nunca faz para si mesmo. Faz para o marido, para o filho, para o irmão, para a mãe. E raramente pode contar.
O copo e a garrafa estão na cozinha, na pia, no armário, ao alcance de qualquer pessoa da casa, sem precisar de explicação nenhuma. Ninguém estranha ver alguém lavando uma caneca. Ninguém pergunta por que a garrafa vazia sumiu. A tradição escolheu esses objetos porque eles permitem que o ritual seja feito em silêncio, no meio da rotina, sem chamar atenção e sem gerar conflito dentro de casa.
Essa discrição não é detalhe secundário: em muitos relatos antigos ela aparece como parte do próprio ritual, quase tão importante quanto o gesto e a palavra dita em voz baixa.
🔍 A água, o fogo e o encontro dos dois
Entre as simpatias desta página, uma chama atenção pela imagem que constrói: o fósforo aceso jogado dentro do copo com água. É um gesto simples, que qualquer pessoa faz em dois segundos, mas ele reúne dois elementos que aparecem em rituais populares do mundo inteiro. O fogo é a vontade, o impulso, aquilo que queima e apressa. A água é o que acalma, dissolve e leva embora.
Quando o palito aceso encontra a água, o barulhinho que ele faz ao apagar é o próprio recado do ritual, dito sem palavra nenhuma. A tradição gosta desse tipo de imagem porque ela é visível. Você não precisa acreditar em nada complicado para entender o que acabou de acontecer diante dos seus olhos. O fogo estava aceso e agora não está mais.
Repare que a mesma lógica aparece em outras simpatias daqui, com roupagens diferentes. A borra de café descendo pelo ralo é a água levando embora o que não presta mais. O pano de prato torcido até a última gota é a água sendo expulsa à força, e junto com ela a vontade. A caneca lavada em água corrente é a água limpando o gosto.
Em todas elas, a água nunca fica parada: ela sempre escorre, desce, sai. Esse detalhe é constante na fé popular brasileira, e vem de longe, de povos que viviam perto de rios e enxergavam na correnteza a imagem mais óbvia de alguma coisa indo embora e não voltando. Quando alguém procura uma simpatia para parar de beber e encontra um ritual com água corrente, está diante de uma das ideias mais antigas que existem: o que a água leva não volta pelo mesmo caminho. Repare ainda que o fogo, quando aparece por aqui, aparece pequeno e por poucos segundos.
É a cabeça de um fósforo, nada além disso. A tradição sabia que fogo é elemento que exige respeito e cuidado dentro de casa, e reservou para ele o papel de representar o impulso, aquilo que acende rápido e some rápido, e não o papel de protagonista do ritual.
🔍 Por que se escreve o nome, a inicial ou a hora
Várias simpatias desta página pedem que você escreva alguma coisa: o nome da pessoa em um papel, a inicial numa folha de louro, o horário em que ela costuma beber. Escrever, na tradição popular, é uma forma de apontar. O ritual precisa saber para quem ele está falando, e o nome escrito é o endereço do pedido. Não é diferente de escrever o destinatário num envelope.
Enquanto o pedido está só na cabeça de quem faz, ele é uma intenção solta. No momento em que vira letra no papel, ele ganha corpo, lugar e limite. Tem uma razão a mais, e ela é bem humana. Escrever obriga a pessoa a parar.
Você senta, procura uma caneta, pensa no nome, escreve devagar. Esse tempinho de concentração é parte do ritual tanto quanto a frase dita em voz alta. Quem faz uma simpatia para parar de beber costuma estar cansado, com raiva, com medo, às vezes sem dormir direito. Escrever o nome de quem se ama é um gesto que organiza esse turbilhão por alguns segundos.
Note ainda a diferença entre escrever o nome inteiro e escrever apenas a inicial. Nas simpatias em que a folha ou o papel vai ficar no bolso, andando pela rua, a tradição prefere a inicial. O motivo é o segredo, que aparece em quase toda simpatia antiga. Se alguém encontrar aquele papel, não vai entender nada.
E há ainda o caso do horário riscado, que é o mais curioso do conjunto: ali não se escreve nem nome nem inicial, se escreve um número. O que está sendo apontado não é a pessoa, é o momento do dia em que a vontade costuma bater. A tradição entendeu, muito antes de qualquer estudo, que o hábito tem hora marcada.
🔍 O arroz, o açúcar e a ideia de puxar ou adoçar
Duas simpatias desta página trabalham com coisas secas da despensa: o arroz cru e o açúcar. São ingredientes que qualquer casa tem, e é exatamente por isso que eles aparecem tanto na tradição popular. Mas o papel de cada um é diferente, e vale entender essa diferença para escolher o ritual que combina mais com o momento. O arroz cru é usado como quem absorve.
É a mesma ideia de deixar arroz dentro de um pote junto com o sal para ele não empedrar, ou de colocar arroz num aparelho molhado. O povo observou por gerações que o grão seco puxa a umidade para si, e transformou essa observação numa imagem: se ele puxa o que está solto no ar, pode puxar também aquilo que a gente quer tirar da vida de alguém. Por isso o papel com o nome é afundado no meio do pote e coberto por completo. Ele não fica em cima, fica dentro, cercado pelos grãos.
Já o açúcar não puxa nada. Ele adoça. Na simpatia do punhado soprado ao vento, ninguém está pedindo para tirar coisa alguma, está pedindo para colocar. A frase dita é sobre a vida da pessoa ficar doce sem precisar de bebida.
É um pedido de substituição, não de arranque. Essa distinção é bonita porque mostra que a tradição nunca trabalhou só com a lógica de afastar. Metade das simpatias tira, a outra metade oferece algo no lugar. Quem procura uma simpatia para parar de beber e sente que a pessoa amada bebe por tristeza costuma se identificar mais com o açúcar.
Quem sente que o problema é hábito puro, repetição, costume de fim de tarde, se identifica mais com o arroz. Não existe escolha certa ou errada entre as duas, e nada impede que uma pessoa faça primeiro uma e, tempos depois, a outra. A tradição popular sempre foi generosa nesse ponto: ela oferece caminhos diferentes para o mesmo pedido e deixa quem faz decidir qual combina com o momento da casa. O que ela não recomenda é misturar os dois num ritual só, juntando arroz e açúcar no mesmo pote e no mesmo gesto, porque aí o pedido perde o contorno e deixa de dizer com clareza o que se quer.
🔍 Cheiros fortes: limão, café e louro
Três simpatias desta página usam elementos que têm uma coisa em comum, e não é a aparência: é o cheiro. O limão, o café e o louro são marcantes, e a fé popular sempre deu peso enorme a isso. A explicação é mais simples do que parece. O cheiro é o sentido que chega antes da razão.
Você sente o cheiro do café e lembra da casa da sua avó sem decidir lembrar. Por isso, quando a tradição quer marcar um momento, quer que aquele gesto fique gravado, ela recorre a alguma coisa que cheira. A casca de limão esfregada nas mãos deixa um perfume que dura horas. Cada vez que a pessoa que fez o ritual levar a mão ao rosto naquela noite, vai lembrar do que fez e do que pediu.
Isso não é pouca coisa quando falamos de um pedido que precisa de firmeza. O café tem uma segunda camada. A borra é o que sobra depois que o melhor já foi tirado, é o resto do resto. Jogar a borra no ralo, devagar e em fio, é entregar o que não serve mais para o lugar por onde as coisas somem.
Não por acaso a simpatia manda deixar a água correr por um minuto depois. O louro, por sua vez, é a folha da vitória em várias culturas antigas, e no Brasil entrou na cozinha e ficou. Numa simpatia para parar de beber, ele vai no bolso, junto do corpo, e é apertado na mão cada vez que o pensamento voltar. É o único dos três que a pessoa carrega, e é justamente por isso que precisa ser algo pequeno, discreto e que ninguém estranhe encontrar.
Repare que nenhum desses três materiais é comprado em loja especializada nem tem hora certa para ser usado. Limão, café e louro estão na cozinha de qualquer casa, custam pouco e não levantam suspeita. A tradição popular brasileira sempre trabalhou assim, com o que sobra da despensa e com o que já ia ser usado no dia. Quem monta um ritual com o que tem à mão faz na hora em que der, desde que a simpatia não estipule um horário específico.
🔍 Panos e roupas: lavar, torcer e virar do avesso
Quem olha rápido pode achar que lavar uma caneca, torcer um pano de prato e virar uma camisa do avesso são a mesma coisa. Não são, e a diferença entre elas explica bem como a tradição popular pensa. Lavar é tirar o que está grudado. A caneca é lavada em água corrente fria, esfregando o fundo e a boca, que são justamente os pontos de contato.
O gesto é de limpeza e a frase acompanha: lavo daqui o gosto e a vontade. Torcer é diferente. Torcer é forçar a saída. Quando alguém torce um pano molhado com força até cair a última gota, o corpo inteiro participa, os dois braços se opõem, existe esforço.
Não é limpeza, é expulsão. Por isso essa simpatia pede que se torça três vezes, sempre até secar, e não uma vez só. E virar do avesso é o mais interessante dos três, porque ali não se tira nem se expulsa nada. Vira-se.
A camisa continua a mesma, com as mesmas manchas e o mesmo cheiro, mas a costura que estava escondida agora está à mostra, e o lado que todo mundo via está guardado. É a imagem do costume invertido, do avesso do hábito. A tradição usa esse gesto quando quer dizer que a mudança não precisa jogar nada fora, precisa inverter a ordem das coisas. Repare que a peça escolhida é a que a pessoa costuma vestir quando bebe, e que ela volta para a gaveta, não vai para o lixo.
No terceiro dia é lavada e devolvida ao lugar de sempre. Nada se perde na casa, e ninguém percebe que alguma coisa foi feita. Esse detalhe explica por que tanto pano e tanta roupa aparecem nesses rituais. Lavar, torcer, dobrar e guardar são tarefas que já fazem parte do dia de quem cuida de uma casa, e ninguém precisa dar explicação para estar fazendo qualquer uma delas.
O ritual se esconde dentro da rotina, e a rotina segue igual para quem olha de fora.
🔍 O gesto repetido e o número três
Se você contar, vai ver que o número três aparece bastante nas simpatias desta página. Três fósforos, três toques na borda do copo, três torções no pano, três palmas antes de voltar para dentro de casa. Esse número atravessa a tradição popular brasileira inteira e chegou aqui por vários caminhos ao mesmo tempo, das rezas trazidas de Portugal aos costumes que já estavam por aqui e aos que vieram da África. Mais do que a origem, o que interessa é o efeito prático dele.
Fazer uma vez é acidente. Fazer duas pode ser coincidência. Fazer três é intenção declarada. A repetição transforma um movimento comum em ato deliberado, e essa é a diferença entre esfregar uma casca de limão nas mãos por acaso e esfregar sabendo exatamente o que se está pedindo.
Existe ainda uma função de ritmo. Quem já fez uma simpatia para parar de beber sabe que a mão treme um pouco na primeira vez. Falar a frase três vezes dá tempo de firmar a voz. Na terceira, quase sempre ela sai mais firme que na primeira, e a tradição sempre valorizou a firmeza de quem pede.
Vale notar que nem toda simpatia daqui usa o três. Algumas mandam fazer uma vez só e não repetir, como a do açúcar soprado ao vento. Outras trabalham com dois dias, como a do arroz e a da camisa. Essa variação não é descuido: rituais que envolvem entrega, aqueles em que você solta alguma coisa e vai embora, costumam ser feitos uma vez e encerrados.
Repetir seria o mesmo que voltar atrás para conferir se deu certo, e isso, na lógica da tradição, é sinal de dúvida. Existe também o caso das simpatias que trabalham com dois momentos, uma à noite e outra na manhã seguinte, como a da borra de café. Ali a repetição não é insistência, é fechamento: um gesto abre e o outro encerra, como quem apaga a luz ao sair de um cômodo. Entender essa diferença ajuda muito na hora de escolher.
Ritual de três repetições pede firmeza no mesmo instante. Ritual de dois momentos pede paciência de um dia para o outro. E ritual de uma vez só pede a coisa mais difícil de todas, que é soltar e não voltar para conferir.
🔍 Por que quase tudo termina longe de casa
Preste atenção no final de cada simpatia desta página. A areia vai para uma esquina. A folha de louro é esfarelada e jogada ao vento longe de casa. A garrafa vazia é deixada aos pés de uma árvore, e quem levou volta por um caminho diferente do que fez na ida.
A casca de limão vai para a terra de um vaso. O papel do horário é rasgado em quatro. O arroz é oferecido às aves da rua. Nenhuma dessas simpatias termina com o material guardado numa gaveta.
Esse cuidado com o fim é uma das partes mais constantes da tradição popular e uma das mais esquecidas por quem faz. Na lógica desses rituais, o objeto usado absorveu alguma coisa. Se ele fica na casa, aquilo que foi tirado continua ali dentro, ocupando espaço. Levar para fora é fechar o ciclo.
E tem o detalhe do caminho de volta diferente, que aparece na simpatia da garrafa e assusta quem lê pela primeira vez. A ideia por trás é a de não desfazer os próprios passos, não voltar buscando o que acabou de ser entregue. Existe ainda um lado prático nisso tudo, que a tradição nunca precisou explicar mas que qualquer um percebe. Quem faz uma simpatia para parar de beber quase sempre mora com a pessoa que bebe.
Deixar o material dentro de casa é correr o risco de alguém encontrar, perguntar e transformar um gesto de cuidado em briga. Levar para longe resolve o simbólico e resolve o convívio ao mesmo tempo. Vale reparar ainda no cuidado que a tradição tem com o destino de cada coisa. O que veio da terra costuma voltar para a terra, como a casca de limão que vai para o vaso e a folha esfarelada que é entregue ao vento.
O que era papel é rasgado antes, para que ninguém leia. O que é grão é oferecido às aves. Nada disso é regra escrita em lugar nenhum, é jeito de fazer que foi passando de casa em casa e que dá ao ritual um final claro. E é esse final que faz a diferença entre um gesto solto e uma simpatia inteira, com começo, meio e fim.
🔍 As dúvidas de quem vai fazer pela primeira vez
Tem um punhado de perguntas que aparecem sempre, e quase todas vêm antes mesmo de a pessoa separar o material. A primeira é se quem bebe precisa saber que a simpatia foi feita. Na tradição, não precisa, e é justamente por isso que os rituais desta página usam objetos comuns da casa e gestos discretos. O segredo é regra antiga: contar espalha a intenção e abre espaço para comentário, palpite e briga dentro de casa, ainda mais quando o assunto é delicado.
A segunda dúvida é sobre religião. Simpatia não pede religião nenhuma. Ela é costume popular brasileiro, feito por gente de todas as crenças e também por quem não segue nenhuma, e nenhuma das simpatias daqui pede reza, imagem ou devoção a santo. A terceira é a mais sincera de todas: e se eu não tiver muita fé?
A tradição sempre respondeu isso de um jeito prático. Não é preciso certeza absoluta, é preciso intenção. Quem separa o material, fala a frase com atenção e cumpre o prazo até o fim já está fazendo a parte que cabe a quem pede. A quarta pergunta é se dá para fazer mais de uma simpatia ao mesmo tempo.
O costume recomenda uma de cada vez, deixando cada uma terminar antes de começar outra. Não é proibição, é bom senso: misturar tudo de uma vez costuma ser sinal de ansiedade, e ansiedade é o oposto da firmeza que esses rituais pedem. Escolha uma simpatia para parar de beber que combine com o seu momento e com o que você tem em casa, e faça só ela até o fim. E tem a quinta, que muita gente pergunta baixinho: posso fazer para mais de uma pessoa da família?
Pode, mas nunca no mesmo ritual e nunca no mesmo dia. Cada nome pede o seu gesto, o seu prazo e o seu descarte, porque o pedido precisa saber exatamente para quem está falando.

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