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Bruno de Osiris — pai de santo em Curitiba

Simpatia para emagrecer:
15 rituais urgentes pra secar barriga

Disclaimer

As simpatias para emagrecer ensinadas nesse site são de cunho meramente esotérico, não substituindo tratamento médico, nutricional e psicológico.

www.brunodeosiris.blog e seus administradores não se responsabilizam por decisões tomadas com base nos rituais aqui descritos, nem por ônus de qualquer natureza decorrente da realização deles.

Simpatia para emagrecer com a esponja

Pegue uma esponja de louça nova e um prato fundo com água. Escreva num papel a quantidade de quilos que você deseja perder e ponha o papel embaixo do prato. Mergulhe a esponja até ela ficar bem pesada de água. Segure sobre a pia com as duas mãos e esprema com força, até não cair mais uma gota. Diga: “sai de mim o que estava guardado.” Jogue a esponja e o papel numa lixeira de rua.

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Simpatia do pano no varal

Molhe bem um pano de prato limpo, sem torcer. Sinta o peso dele na mão e diga em voz alta a quantidade de quilos que deseja perder. Pendure no varal, num lugar de vento, e deixe secar sozinho. Quando estiver seco, pegue de novo e repare como ficou leve. Diga: “O peso do pano se foi assim como o meu excesso de peso também irá.” Guarde o pano e volte a usar normalmente.

Simpatia da flor desfolhada

Colha ou compre uma flor de pétalas grandes, como margarida, girassol ou rosa. Segure pelo caule e diga em voz alta a quantidade de quilos que deseja perder. Arranque uma pétala para cada quilo, contando alto: um, dois, três, até chegar no número que você falou. Diga a cada pétala: “menos um quilo.” Junte as pétalas arrancadas e leve para longe de casa, deixando na terra. O talo que sobrou vai para uma lixeira de rua.

Simpatia da casca de ovo

Guarde as cascas de dois ou três ovos e deixe secar na pia por algumas horas. Escreva num papel a quantidade de quilos que deseja perder e ponha o papel embaixo de um prato. Coloque as cascas no prato e vá quebrando com o fundo de uma colher, apertando até virar um farelo bem fino. Diga enquanto quebra: “era dura e virou farelo, e os meus quilos vão do mesmo jeito.” Junte o farelo e o papel num saquinho fechado. Jogue numa lixeira de rua, longe da sua casa.

Mulher subindo em uma balança antiga de farmácia

Simpatia da folha de bananeira

Arranque uma folha de bananeira ou uma folha grande de qualquer planta do quintal. Estenda no chão e diga em voz alta a quantidade de quilos que deseja perder. Rasgue a folha em tiras compridas com as mãos, uma tira para cada quilo, contando alto. Diga ao terminar: “rasguei um por um e não junto mais.” Descarte em um local diferente, fora de casa, cada pedaço da folha que você tirou.

Simpatia para emagrecer em 24 horas

Corte uma berinjela em rodelas, uma rodela para cada quilo que deseja perder, contando alto a cada corte. Espalhe as rodelas num prato, sem empilhar, e escreva num papel a quantidade de quilos, deixando o papel embaixo do prato. Ponha o prato num canto arejado dentro de casa e diga: “murcha aí e murcha em mim.” Em 24 horas as rodelas vão estar escuras e murchas, bem menores do que eram. Diga ao olhar: “diminuiu.” Descarte as rodelas na terra, longe de casa, e o papel numa lixeira de rua. Não coma essa berinjela.

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Simpatia do limão espremido

Pegue um limão inteiro e segure na palma da mão, longe do sol. Diga em voz alta a quantidade de quilos que deseja perder, olhando para o limão. Corte ao meio e esprema com força as duas partes num copo, até não sair mais nada e sobrar só a casca murcha. Diga: “esvaziou, ficou só a casca.” Jogue o suco na pia com a torneira aberta e não beba nada. As cascas vão para uma lixeira de rua.

Simpatia da pipoca

Prepare um punhado de pipoca. Na sequência, em área externa, jogue por cima da sua cabeça a quantidade de pipoca que reflita a quantidade de peso que deseja perder. Se quer perder 15 quilos, jogue 15 pipocas por cima da sua cabeça. Não veja onde as pipocas caíram. Saia sem olhar para trás. Descarte as pipocas que eventualmente sobraram.

Simpatia do feijão

Ponha num pires um grão de feijão para cada quilo que deseja perder, contando alto um por um. Encha um copo com água e leve para uma área externa junto com os grãos. Jogue os grãos na água, todos de uma vez, e diga: “afundou e não volta.” Espere os grãos irem para o fundo do copo. Jogue a água com os grãos direto na terra, num só movimento. Volte para casa sem olhar para trás e lave o copo.

Simpatia da laranja

Pegue uma laranja e descasque com as mãos, tirando a casca em pedaços. Diga em voz alta a quantidade de quilos que deseja perder enquanto descasca. Separe os gomos um por um, contando alto até chegar no número que você falou. Você pode usar duas ou mais laranjas para que a quantidade de gomos a ser destacada reflita a quantidade de quilos que deseja perder. Diga: “separei um a um, e um a um eles saem.” Junte os gomos contados e as cascas num saquinho fechado, descarte numa lixeira de rua longe de casa e não coma essas laranjas.

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Simpatia para emagrecer com a água da chuva

Num dia de chuva, ponha um pires vazio numa área externa, no chão, e deixe juntar um dedo de água. Escreva num papel a quantidade de quilos que deseja perder e ponha o papel embaixo do pires. Deixe o pires na mesma área externa e diga: “essa água vai sumir sozinha, e os meus quilos também.” Deixe até secar por completo, o que leva menos de um dia. Quando o pires estiver seco, diga: “sumiu.” Descarte o papel numa lixeira de rua e lave o pires.

Simpatia da erva-doce

Compre um pacote de erva-doce em grão na feira ou no mercado. Ponha um punhado na palma da mão e diga em voz alta a quantidade de quilos que deseja perder. Sopre os grãos da sua mão em direção ao chão de uma área externa, até não sobrar nenhum na palma. Diga: “soprei para fora e para fora fica.” Não recolha nada do que caiu no chão. Volte para dentro sem olhar para trás e lave as mãos.

Simpatia do galho quebrado

Procure um galho seco caído no chão, que já esteja morto. Diga em voz alta a quantidade de quilos que deseja perder. Quebre o galho em pedaços com as duas mãos, um pedaço para cada quilo, contando alto a cada estalo. Diga ao último: “quebrado assim, não emenda mais.” Descarte cada pedaço do galho em um local diferente, fora de sua casa.

Mulher sorrindo mostrando a calça que ficou larga

Simpatia do alho

Separe uma cabeça de alho inteira, com a casca. Segure com as duas mãos e diga em voz alta a quantidade de quilos que deseja perder. Vá soltando um dente para cada quilo, contando alto, e deixando cada um cair num pires. Diga: “vai saindo dente por dente, quilo por quilo.” Junte os dentes soltos num saquinho fechado e descarte numa lixeira de rua. O que sobrou da cabeça não deve ser usado e deve ser descartado em qualquer outro local.

Simpatia para emagrecer de vez

Numa noite de lua minguante, ponha num prato um punhado de arroz cru com bem mais grãos do que os quilos que você quer perder. Diga em voz alta a quantidade de quilos e comece a tirar os grãos do prato, um por um, contando alto até chegar naquele número. Diga a cada grão: “esse sai.” Guarde os grãos que representam os seus quilos em excesso num saquinho e feche bem, descartando-o em qualquer esquina. Os grãos que sobraram devem ser descartados.

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Curiosidades...

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É preciso ter fé para fazer uma simpatia?

Essa é a pergunta que mais chega, e a resposta mais honesta não é a que a maioria espera.

Ter fé, nada mais é do que acreditar em algo, em alguém ou em alguma coisa. Se você está fazendo uma simpatia, em algum nível você já crê naquilo. Ninguém separa arroz, corta uma fruta ou espera a lua minguante achando que aquilo é bobagem completa. O gesto já é a prova da crença. Quem não acredita em nada simplesmente não faz, fecha a página e vai cuidar de outra coisa.

Por isso a tradição popular nunca cobrou fé de ninguém como se cobra um documento na entrada. Ela parte do princípio de que quem chegou até ali já trouxe a sua. E fé, nesse contexto, não significa certeza absoluta. Significa disposição. Uma pessoa pode fazer uma simpatia para emagrecer, uma para o amor ou uma para prosperidade sentindo dúvida no meio do caminho, e isso não invalida coisa nenhuma. Dúvida é companheira de quem espera resultado, não inimiga do ritual.

O que os mais velhos sempre pediram foi outra coisa: atenção. Fazer com a cabeça no que está fazendo, sem pressa, sem o celular tocando, sem gente entrando e saindo. É por isso que quase toda receita antiga pede que se diga alguma coisa em voz alta. Falar prende a atenção de quem faz, e atenção é metade do trabalho.

Existe ainda um detalhe que quase ninguém comenta. A pessoa que faz uma simpatia costuma sair dali com a cabeça mais organizada do que entrou, porque precisou parar, escolher palavras e formular um pedido claro. Isso já é alguma coisa, independente do que venha depois.

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Fazer simpatia é um hábito brasileiro?

É brasileiro no jeito, mas não é invenção nossa. Costumes parecidos existem em praticamente todo lugar do mundo, com outros nomes e outros materiais.

Em Portugal, de onde veio boa parte do que se pratica por aqui, elas aparecem como mezinhas e rezas caseiras, muitas quase idênticas às que atravessaram o Atlântico. Na Itália se fala em fattura, na Espanha em conjuros caseiros, e no México e em boa parte da América Latina o costume é tão forte quanto no Brasil, com rituais domésticos ligados a velas, ervas e água. Em países de língua inglesa, práticas parecidas sobrevivem no folclore rural, com fórmulas passadas dentro da família do mesmo jeito.

O que muda de um lugar para outro é o material que se tem por perto e o santo ou a entidade que se cita. A estrutura é sempre a mesma: um pedido, um gesto que imita o pedido e um encerramento.

O que faz do caso brasileiro algo particular é a mistura. Aqui se juntaram a herança portuguesa, muito ligada a santo e promessa, a matriz africana, com a leitura dos elementos e o peso do gesto, e o conhecimento indígena das plantas e da terra. Dessa combinação nasceu um repertório enorme, que vai de uma simpatia para emagrecer a uma para vender mais no comércio, passando por amor, viagem, prova, emprego e sono.

Vale uma observação: o folclorista Câmara Cascudo, que dedicou a vida a catalogar essas práticas, registrou que a superstição acompanha o ser humano em toda a história conhecida e se renova a cada época, inclusive nas cidades grandes e nos meios técnicos. Ou seja, não é coisa de um tipo de pessoa nem de um lugar só. É coisa de gente.

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De onde vem a palavra “simpatia”?

Poucas pessoas param para pensar nisso, mas o nome já explica bastante do que o costume é.

A palavra vem do grego antigo, da junção de duas partes: uma que quer dizer junto e outra que quer dizer sentimento. Juntas, formavam algo como sentir junto, ser afetado pela mesma coisa. Passou para o latim e chegou ao português carregando essa ideia de ligação, de duas coisas que se correspondem à distância.

É por isso que a palavra tem dois sentidos até hoje. Quando se diz que uma pessoa sentiu simpatia por outra, está se falando dessa afinidade imediata, sem explicação. E quando se diz que alguém vai fazer uma simpatia, está se falando de um ritual construído justamente sobre a mesma lógica: uma coisa aqui corresponde a outra lá.

Essa correspondência é o coração de toda receita popular. A pétala arrancada corresponde ao que se quer tirar. O galho quebrado corresponde ao que se quer romper. O papel que se leva embora corresponde ao que se quer ver longe. Quem faz uma simpatia para emagrecer, uma para o amor ou uma para vender mais no comércio está sempre operando dentro dessa mesma regra, mesmo sem nunca ter ouvido falar em grego.

Vale notar que o nome não é usado do mesmo jeito em toda parte de língua portuguesa. Em Portugal, o costume aparece muito com o nome de mezinha, palavra que hoje soa estranha ao ouvido brasileiro. É a mesma coisa com outro rótulo, e por isso quem pesquisa acaba encontrando receitas registradas com nomes que parecem não ter relação nenhuma com o assunto.

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Por que quase toda simpatia manda contar alguma coisa?

Quem lê várias receitas seguidas percebe o padrão: conte tantos grãos, arranque tantas pétalas, corte tantas rodelas, dê tantos nós. O número aparece o tempo todo, e não é enfeite.

O motivo mais repetido pelos antigos é que pedido sem tamanho não se cumpre. Quem pede “melhorar” não sabe dizer se melhorou. Quem pede uma quantidade exata percebe na hora se aquilo aconteceu ou não. O número funciona como régua e como compromisso.

Existe um segundo motivo, mais prático. Contar obriga a pessoa a ir devagar. É impossível separar quinze pétalas ou quinze grãos com pressa, olhando para o lado, pensando em outra coisa. A contagem segura a atenção da mesma forma que a fala em voz alta, e quem já fez sabe que os últimos itens são contados com mais peso do que os primeiros.

E existe um terceiro, que é o mais bonito da tradição. Contar transforma uma coisa vaga em uma coisa que se pode ver com os olhos. Um monte de grãos separados na mesa, um punhado de pétalas na palma da mão, uma fileira de pedaços de galho. O pedido deixa de ser só pensamento e vira uma quantidade visível ali, na sua frente. É por isso que uma simpatia para emagrecer, no repertório popular, quase sempre pede um item para cada quilo: o desejo ganha forma e tamanho.

Vale um detalhe sobre a hora de escolher o número. A tradição sempre desaconselhou exagerar por empolgação. Número escolhido no impulso costuma ser abandonado no meio do caminho, e ritual abandonado no meio é o único que a tradição realmente considera perdido.

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De boca em boca: como as simpatias chegaram até hoje

Nenhuma simpatia foi inventada por alguém que assinou embaixo. Elas circularam durante séculos sem livro, sem registro e sem autor, passando de uma pessoa para outra na conversa.

Quem carregou esse conhecimento foram, na maioria das vezes, mulheres. De avó para filha, de filha para neta, de vizinha para vizinha na porta de casa. O que garantia a sobrevivência de cada receita era a memória de quem ensinava e a confiança de quem recebia. Não havia caderno para consultar depois: se a pessoa esquecesse um passo, ela adaptava e seguia em frente.

Essa forma de transmissão explica quase tudo que se vê hoje. Explica por que a mesma simpatia aparece com dez versões diferentes na internet, mudando o dia, o recipiente, a frase ou o lugar do descarte. Explica por que uma receita colhida no Nordeste raramente é igual à contada no Sul. E explica por que ninguém consegue dizer qual é a versão certa: nunca existiu versão oficial, nem no tempo em que só existia a versão falada.

Foi só no século passado que folcloristas começaram a anotar sistematicamente esse material. Câmara Cascudo é o nome mais conhecido desse trabalho no Brasil, com o Dicionário do Folclore Brasileiro, publicado em 1954, reunindo milhares de verbetes sobre crenças, práticas e costumes recolhidos diretamente da boca das pessoas. Antes disso, tudo vivia só na memória.

Uma consequência disso vale ser dita com clareza: esse conhecimento circulou sempre de forma aberta. Uma simpatia para emagrecer, uma para o amor ou uma para prosperidade pertence a quem a recebeu e a quem a repassar adiante. Quem ensina não perde nada, e quem aprende assume a mesma função de quem ensinou.

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Por que tanta simpatia usa planta, fruta e coisa de feira?

Olhe qualquer lista boa e você vai encontrar sempre os mesmos tipos de material: folha, flor, casca, grão, fruta, galho, água, terra. Coisas que se acham na feira, no quintal ou no armário da cozinha.

O primeiro motivo é o mais direto. Esse conhecimento circulou por gerações entre pessoas de todos os cantos do país, e uma receita que dependesse de item raro simplesmente não sobreviveria, porque a maioria não conseguiria fazer. O que atravessou o tempo foi justamente aquilo que qualquer pessoa acha em qualquer lugar, em qualquer época do ano.

O segundo motivo é simbólico e mais interessante. Esses materiais fazem sozinhos aquilo que o ritual quer mostrar. A folha murcha. A fruta seca. A flor desfolha. A água evapora. O galho quebra. Nada disso precisa ser forçado: basta esperar e a natureza faz a parte dela na frente de quem está pedindo. É bem diferente de um objeto de plástico, que fica igual para sempre e não conta história nenhuma.

O terceiro motivo é que material vivo tem prazo. Uma rodela de berinjela escurece em um dia, uma flor desfolhada murcha em horas. Esse prazo natural dá ao ritual um começo e um fim que a própria pessoa consegue enxergar, sem precisar marcar no calendário.

É por isso que uma simpatia para emagrecer, uma para separar um casal ou uma para chamar dinheiro costuma pedir aquilo que já está na cozinha. A tradição popular sempre trabalhou com o que estava ao alcance da mão, e o alcance da mão é justamente a feira mais próxima.

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Quem eram as benzedeiras e rezadeiras

Muita gente aprendeu a primeira simpatia da vida com uma dessas figuras, e elas merecem um parágrafo próprio.

Benzedeira, rezadeira, curandeira, mãe de reza: o nome muda conforme a região, mas a função é reconhecida em todo o país. Eram, e ainda são, pessoas procuradas na vizinhança para benzer, rezar sobre alguém e orientar sobre o que fazer diante de uma aflição. Trabalhavam na sala de casa, sem consultório e sem placa, e a maior parte não cobrava nada.

O que essas pessoas guardavam era um repertório inteiro na memória. Qual reza servia para cada situação, qual ramo se usava, quantas vezes se repetia, em que dia. Não havia caderno: era tudo memorizado e transmitido para quem demonstrasse interesse e paciência para aprender, quase sempre alguém mais novo da própria família ou da rua.

Foi por esse caminho que a maioria das receitas atravessou o tempo. Uma simpatia para emagrecer, uma para destravar um negócio ou uma para acalmar uma situação em casa circulava exatamente assim, de sala em sala, sem passar por livro nenhum.

Vale registrar uma diferença importante, porque ela se perde na conversa. A benzedeira não é a mesma coisa que o pai ou a mãe de santo, nem que o rezador de igreja. São funções distintas, com fundamentos distintos, e cada uma tem o seu lugar. O que elas compartilham é o fato de serem procuradas por gente que precisa de alguma coisa e não sabe mais a quem recorrer.

Em muitas cidades do interior essas figuras seguem ativas até hoje, e em algumas o ofício já foi reconhecido oficialmente como patrimônio cultural.

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Agosto, o mês em que se fala mais de simpatia

Existe um período do ano em que o assunto aparece mais em conversa, em escola e na internet, e não é por acaso.

O Dia do Folclore é comemorado no Brasil em 22 de agosto. Por causa disso, o mês inteiro costuma concentrar atividade sobre cultura popular: escola trabalhando lendas, feira do livro, evento de dança, matéria de jornal. E, junto com o saci e a mula sem cabeça, entram na conversa as crendices, os ditados e as simpatias.

Agosto carrega outra fama, que também ajuda. O ditado popular diz que é o mês do desgosto, uma rima que veio de Portugal e pegou por aqui. Existe até um costume antigo de considerar agosto período pouco favorável para começar coisa nova, o que ironicamente aumenta a procura por rituais de proteção e de virada logo nessa época.

Quem acompanha busca na internet percebe esse movimento com clareza. A procura por simpatia para emagrecer, por simpatia de prosperidade e por proteção sobe nos meses de virada, começo de ano e volta de férias, e agosto entra nessa conta pelo peso simbólico que carrega.

Vale a observação de que nada disso é regra da tradição. Nenhuma receita popular exige agosto, nem proíbe agosto. O que existe é um calendário informal, formado por costume e por conversa, que faz certas épocas parecerem mais propícias que outras. Quem quiser fazer em março faz em março, e o costume não tem nada contra.

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Por que se escreve num papel?

O papel aparece em quantidade enorme de receitas, e quase ninguém explica o motivo.

O primeiro é simples: escrever é uma forma de fixar. Enquanto o pedido está só na cabeça, ele é uma nuvem, uma mistura de vontade, pressa e receio. Na hora de escrever, é preciso escolher palavra, ordem e limite. Muita gente descobre nesse momento exatamente o que quer, e às vezes descobre também o que não quer.

O segundo é que o papel dá corpo ao pedido. Ele passa a ser uma coisa que se pega, que se dobra, que se molha, que se guarda embaixo de um prato e que depois se descarta. O pedido deixa de ser pensamento e vira objeto, e objeto pode ser levado embora.

O terceiro motivo é histórico. Papel escrito à mão sempre teve peso de compromisso, muito antes de qualquer ritual: era assim que se firmava dívida, promessa e acordo, quando a maior parte dos negócios se resolvia no fio da palavra e no papel assinado. A tradição popular absorveu esse formato porque ele já carregava seriedade.

Sobre a prática, o costume antigo prefere papel branco e sem pauta, sem nada escrito no verso, e caneta que marque bem e não borre, já que em várias receitas o papel encosta em líquido. Lápis costuma ser evitado justamente por apagar. Sobre a letra, a orientação é escrever à mão e de forma legível, sem pressa.

E não existe tamanho obrigatório. Um pedaço pequeno, do tamanho da palma da mão, atende praticamente qualquer receita, seja uma simpatia para emagrecer, uma para atrair cliente ou uma para acalmar uma situação em casa. Ainda facilita na hora de dobrar e descartar.

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Por que existem livros de simpatias?

Durante muito tempo esse conhecimento não estava escrito em lugar nenhum. Vivia na memória de quem sabia e na conversa de quem ensinava. Aí, em algum momento, começou a virar papel.

Os primeiros registros organizados vieram do trabalho de folcloristas, gente que percorreu o país anotando o que ouvia. O nome mais conhecido é o de Câmara Cascudo, que publicou em 1954 o Dicionário do Folclore Brasileiro, reunindo milhares de verbetes sobre crenças, práticas e costumes recolhidos diretamente das pessoas. O objetivo dele era documentar, não ensinar.

Em paralelo correu outra linha, muito mais popular: os almanaques. Aqueles livrinhos baratos que traziam calendário, previsão do tempo, piada, receita de cozinha e uma seção de simpatias. Eram vendidos em banca e em feira, e foi por eles que boa parte do país teve acesso escrito ao que antes só se ouvia falar.

Dessas duas linhas nasceu o livro de simpatias como se conhece hoje. Ele reúne, organiza, explica e coloca em ordem um material que estava espalhado, e quem faz esse trabalho tem sobre ele os mesmos direitos de qualquer autor sobre a sua obra. É por isso que existem livros registrados, com ISBN, tratados como qualquer outra publicação.

Hoje o costume circula pelos dois caminhos ao mesmo tempo. Uma simpatia para emagrecer pode chegar até você por um livro, por um site, por um vídeo ou por uma conversa de família, e nenhuma dessas vias é mais legítima que a outra. O que muda é o formato: o livro reúne num volume só, e a internet entrega no momento em que a pessoa procura.

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